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Um pouco mais sobre Realidade Aumentada

08 out

Definitivamente o “Do Analógico ao Digital” adora Realidade Aumentada e tudo o que fala sobre ela. Tenho certeza que, como disse André Lemos em recente entrevista, ela será corriqueira em nossas vidas. Já esteve presente em games, publicidade, entrou no universo das infografias por uma aposta do Estadão (Daniel Roda e Eduardo Tcha-Tcho), e agora temos até em Iphones.

Peço licença a João Casotti, autor da entrevista com André Lemos, para reproduzir a entrevista concedida por esse ótimo pesquisador da Universidade Federal da Bahia (UFBA), que também percebe a importância em se estudar tudo sobre Realidade Aumentada.

“A descrição acima é um exemplo prático de realidade aumentada, uma tecnologia que está bem mais próxima de se tornar corriqueira do que imaginamos. É o que conta em detalhes André Lemos, professor da Faculdade de Comunicação da Universidade Federal da Bahia (UFBA). Engenheiro, mestre em política, ciência e tecnologia pela Coppe/UFRJ (Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-graduação e Pesquisa de Engenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro), doutor em sociologia pela Université Paris V, e pós-doutor pelas universidades de Alberta e McGill, no Canadá, ele atualmente coordena um projeto de pesquisa no CNPq sobre cibercidade.”Confira a seguir a entrevista com André Lemos.

Nós da Comunicação – Aos poucos, as pessoas estão falando sobre realidade aumentada. Quando surgiu essa tecnologia e quais fatores fazem dessa ‘novidade’ uma tendência para os próximos anos?
André Lemos –
O termo foi proposto, nos anos 90, no treinamento de pilotos de avião da Boieng e só ganhou força agora, com o aumento do processamento da informação e das imagens. É herdeira do desenvolvimento de simuladores e da realidade virtual desde os anos 60. O que acho mais interessante é a possibilidade de ‘interfacear’ informações aos objetos e espaços urbanos, aumentando-os como uma carga de informação, ampliando as formas de uso. Há inúmeros exemplos na publicidade, no marketing, na ciência, na medicina, no turismo ou em navegação pelas cidades. A tendência para os próximos anos é aumentar seu uso tanto corporativo como social, utilizando as possibilidades de indexação de informação como mídia social interativa e participativa, como uma espécie de web 2.0 em interface com o espaço público

Nós da Comunicação – Já existem campanhas de marketing – como uma que vi da Nextel –, que utilizam a realidade aumentada como recurso. Qual é sua expectativa sobre as possibilidades comerciais dessa tecnologia?
A. L. –
Há várias experiências no marketing e na publicidade (carros, salgadinhos, roupas), no campo científico (simulação de objetos, paisagens, sistemas) e no uso de sistemas de navegação pelo espaço urbano, como o Layar, o Mobvis, o Metro Paris, entre outros. Acho que as experiências crescerão muito nos próximos anos, consolidando a ideia de uma ‘internet das coisas’, na qual a informação não estará apenas na rede, no ciberespaço ‘lá em cima’, na ‘matrix’, mas colada aos objetos da vida cotidiana como uma espécie de post it eletrônico, acessível pelos telefones celulares. Estamos vendo agora uma explosão de sistemas para os smartphone, especialmente para o iPhone.

Nós da Comunicação – Li um post de seu blog sobre o tema, no qual você fala sobre dois tipos de projetos em realidade aumentada – um deles seria o ‘indoor’. Poderia nos explicar no que eles consistem?
A. L. –
Sim, há exemplos que são os de simulação de objetos 3D e de movimentos (abrir um motor de um carro e ver como se conserta, apontar um pacote de salgadinhos para a webcam e ver seres aparecerem, apontar para um mapa e ver o relevo em 3D do terreno; os exemplos são inúmeros). Esses são os não locativos, ‘indoor’, por assim dizer, que não reagem ao ambiente externo.

No caso das experiências locativas (‘outdoor’), o interessante é que a lente do dispositivo (um smartphone, por exemplo) é como uma janela para mais informações do mundo próximo, onde estamos aqui e agora. Aponto meu celular e posso ler sobre a história de um monumento, ver as linhas de metrô mais próximas ou saber se há um lugar interessante para tomar um café ou visitar uma exposição aqui e agora. Para o que me interessa (a relação das tecnologias comunicacionais com o lugar e o espaço urbano), essas são as experiências mais interessantes.

Nós da Comunicação – Imaginando a popularização dessa tecnologia, quais as consequências que você prevê na mídia? Existe, inclusive, a possibilidade de reconhecimento das pessoas pelo semblante…
A. L. –
Sim, o problema, como sempre, é a vigilância, a invasão de privacidade, o controle e o monitoramento de pessoas e do espaço urbano. Já estamos vivendo isso. Com o cruzamento de dados de pessoas em inúmeros bancos de dados e redes sociais, e a consequente configuração de perfis de comportamento (sejam eles social, de consumo ou profissional), essas tecnologias de realidade aumentada podem identificar os usuários e traçar, rapidamente, um perfil para bombardeá-los de publicidade, ações de marketing ou desencadear uma vigilância policial e/ou política. Temos de estar atentos a essa dimensão das mídias locativas e das redes sociais.

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